domingo, 22 de agosto de 2010

Resistência

Thomas puxou meu braço bruscamente, forçando-me a virar e encará-lo:

- O que pensa que está fazendo, Jay? - ele indagou, com a voz alterada e enfurecida. - Como pode beijá-lo na minha frente? Não faz três dias que terminamos.

- Concordo plenamente. Terminamos! - enfatizei.

- Não entendo como me enganei tanto com alguém. Como pode? E todo aquele amor que me prometeu, todos os desejos de que ficássemos juntos, todos os beijos, onde estão agora? Trocados pelo sabor de uma boca desconhecida. – ele me olhava incrédulo. Quem o visse teria pena de sua expressão de fragilidade.

- Ah, agora entendo sua preocupação. Quem sabe se todos os nossos sonhos fossem trocados por uma boca conhecida não teria problemas. Por isso você não se importou em beijar minha prima, enquanto ainda tínhamos compromisso um com o outro. Ao menos eu pensei que tínhamos.

- Eu já lhe disse que a culpa não foi minha, ela me agarrou. – falava isso com tanta convicção que até ele acreditaria em suas falsas verdades.

- Ela? Todas as cinco vezes? – nesse ponto o garoto que me acompanhava já havia saído, percebeu que eu não me importava se ele estava ali ou não. Embora magoada e com raiva, a presença de Thomas era essencial para que eu me sentisse viva, mesmo nesta situação.

- Você precisa entender, eu tenho necessidades e desejos que às vezes não consigo controlar. Lembre-se de todas as tardes, dos aniversários, dos nossos planos. Lembra que só eu te faço sorrir em um dia de chuva forte, enquanto seguro sua mão para que não tenhas medo dos trovões? E além do mais, não se conter é normal, eu sou Homem.

- Homem? Você é um garoto imaturo. É incrível como mesmo quando apela para minhas memórias e quase me faz acreditar que realmente foi algo perdoável, você estraga tudo. Homem... Como se isso lhe desse direito a algo. – falei com raiva, indignada.

Avistei outro garoto, não o que me acompanhara até aquela festa. Fui a sua direção e o beijei. Queria mostrar para Thomas que não dependia dele, que poderia superar todas as sensações que ele me trazia. Beijar outra pessoa não era fácil, mas perdoa-lo era ainda mais difícil.

Enquanto o garoto que eu havia beijado saia assustado e pedindo para que eu não fizesse isso em outro momento, Thomas novamente me puxou, agora com mais força e brutalidade. Segurou meus braços firmemente. Encarando-me, senti sua respiração ofegar, mas não era por paixão, e sim por nervosismo com toda aquela situação, era movido pelo orgulho:

- Qual sua intenção? – bufou. Não precisa responder, já sei. Você quer me matar aos pouquinhos, lentamente. Você beija vários para mostrar que já me esqueceu, mas ainda sou seu dono. Esse é seu plano. Mas desista, não fugirás de mim assim tão rápido.

- Não tenho pressa, não tenho plano, não tenho dono. – virei e sai em direção à rua. Não poderia mais encará-lo, ele iria perceber que eu estava dissimulando. Mesmo com a decepção impedindo que eu colasse os pedaços partidos desse sentimento, não conseguia esquece-lo.

Eu menti. O que mais tinha era pressa de tirar Thomas de mim. Meu plano era encontrar em outras bocas sabor tão doce. Quanto ao dono, meu coração ainda o pertencia, meus pensamentos também. Mas não voltaria atrás. Não foi o beijo na minha prima e sim a quebra da confiança. Como poderia acreditar em seu olhar e suas palavras agora?

- Mas Jay, eu te amo. – tive tempo de escutar antes de entrar no carro.

Aquelas palavras apertaram aqui dentro. Como podiam ser tão importantes? Olhei novamente para ele, queria correr em sua direção. A chuva caia forte e o vento era frio. Mesmo assim a noite estava bela. Seria a reconciliação perfeita se o abraçasse naquele momento. Conclui:

- O azar é seu. E não me chame de Jay, meu nome é Janett.

Entrei no carro e parti. Meu coração queria ficar, era difícil, mas decidi não olhar para trás. Ouvi lá fora um forte trovão. Infelizmente só ele me fazia sorrir em um dia de chuva forte, enquanto segurava minha mão para que eu não tivesse medo dos trovões.

3 comentários:

  1. OI! Tenho selinhos pra ti em meu blog.

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  2. Gostei... O suficiente para ansiar mais linhas suas e clicar em seguir. xD

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